VOTO SUSTENTÁVEL: O AMBIENTE NA URNA
28/09/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
No próximo domingo, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Em meio a tantas questões econômicas, sociais e políticas que naturalmente influenciam o voto, existe uma que ganhou importância nos últimos anos e também merece atenção: como os candidatos pretendem enfrentar os desafios ambientais e climáticos do país. Em 2024, quando escrevemos sobre esse tema durante as eleições municipais, o Rio Grande do Sul ainda contabilizava os impactos das enchentes que marcaram aquele ano. Desde então, novos extremos climáticos, períodos de estiagem, perdas agrícolas e eventos de chuva intensa reforçaram algo que já deveria estar claro: meio ambiente deixou de ser uma pauta distante da vida das pessoas. A própria eleição de 2026 traz um fato simbólico. Pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral criou uma Sala Nacional de Situação Climática para monitorar riscos meteorológicos e hidrológicos que possam interferir inclusive na realização do pleito. Se o clima já precisa fazer parte do planejamento das próprias eleições, certamente também precisa estar presente no planejamento do país. A sustentabilidade deve ser considerada independentemente de partido ou posição ideológica, a partir da análise das propostas concretas apresentadas pelos candidatos. Como pretendem preparar cidades e propriedades rurais para eventos extremos? Qual será a política para recursos hídricos, saneamento, energia, agricultura sustentável, conservação ambiental e transição para uma economia de baixo carbono? Existem metas, recursos e instrumentos para executar aquilo que está sendo prometido? Talvez esse seja o significado mais atual de um voto sustentável: compreender que decisões tomadas nas urnas também terão consequências sobre o território onde vivemos nos próximos anos. Desenvolvimento econômico, produção agrícola, geração de empregos e proteção ambiental precisam fazer parte do mesmo planejamento. No próximo domingo, entre tantos critérios que cada eleitor legitimamente utilizará para fazer sua escolha, vale acrescentar mais um: verificar se as propostas apresentadas estão preparadas para os desafios ambientais e climáticos que já fazem parte da nossa realidade.




