A COPA DO MUNDO E A SUSTENTABILIDADE: O QUE O FUTEBOL PODE NOS ENSINAR?
16/06/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
A Copa do Mundo de 2026 promete entrar para a história por diversos motivos: será a primeira com 48 seleções, 104 partidas e sedes distribuídas entre três países, Estados Unidos, Canadá e México. Mas há outro recorde que desperta preocupação: especialistas apontam que ela pode se tornar a Copa mais poluente da história, principalmente em razão das longas distâncias percorridas por equipes e torcedores e do aumento expressivo no número de jogos. Estimativas indicam emissões superiores a 9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, valor significativamente superior ao observado em edições anteriores. Esse cenário evidencia uma contradição cada vez mais presente em grandes eventos globais: enquanto avanços tecnológicos e medidas de sustentabilidade são anunciados, o crescimento da escala dos eventos frequentemente amplia seus impactos ambientais. Ao mesmo tempo em que estádios adotam eficiência energética, gestão de resíduos e certificações ambientais, o transporte aéreo continua sendo o principal responsável pela pegada de carbono do torneio. Entretanto, a sustentabilidade não depende apenas de infraestrutura ou políticas institucionais. Muitas vezes, ela começa em pequenos gestos. Durante as últimas Copas, torcedores japoneses chamaram a atenção do mundo ao recolherem seu próprio lixo nos estádios após as partidas, transformando um simples ato em um exemplo de educação ambiental e responsabilidade coletiva. O episódio demonstra que soluções para desafios globais nem sempre exigem tecnologias complexas, mas mudanças culturais capazes de influenciar milhões de pessoas. Talvez essa seja a principal lição da Copa de 2026. Em um momento em que eventos extremos, mudanças climáticas e pressões sobre os recursos naturais se tornam cada vez mais evidentes, a sustentabilidade deixa de ser um tema restrito a especialistas e passa a integrar o cotidiano das pessoas. Afinal, assim como no futebol, construir um futuro mais sustentável depende menos de ações individuais isoladas e mais da capacidade de jogar coletivamente em direção a um objetivo comum.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




