TERRAS RARAS: RIQUEZA E RISCO NO SUBSOLO GAÚCHO
03/08/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos metálicos encontrados em minerais presentes em determinadas rochas da crosta terrestre. Apesar de relativamente abundantes, raramente ocorrem em concentrações que permitam sua exploração econômica e, por estarem misturados a outros minerais, exigem processos complexos de extração e refino. São utilizados em turbinas eólicas, veículos elétricos, celulares, satélites e equipamentos médicos, dentre outros. Esses elementos também são fundamentais para a fabricação de baterias, ímãs de alta potência, equipamentos de defesa e diversos componentes eletrônicos de alta precisão. Por isso, tornaram-se estratégicas para a transição energética, para a indústria de alta tecnologia e para a geopolítica mundial. A China concentra a maior parte da produção e do processamento global, enquanto o Brasil possui a segunda maior reserva conhecida, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas. Essa concentração da cadeia produtiva tornou as terras raras um dos principais ativos estratégicos da economia mundial, influenciando decisões comerciais e geopolíticas entre as grandes potências. No país, as principais ocorrências estão em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, com Minas Gerais em posição de destaque. Mesmo assim, o Brasil ainda possui baixa capacidade de beneficiamento e refino, limitando a agregação de valor e mantendo a dependência tecnológica externa. No Rio Grande do Sul, o tema ganhou força com pesquisas realizadas em Caçapava do Sul, onde foram identificadas rochas com concentrações relevantes de elementos terras raras, além de nióbio e tântalo. Embora ainda sejam necessários novos estudos para avaliar sua viabilidade econômica, essas descobertas colocam o Estado entre as regiões com potencial para integrar essa cadeia produtiva no futuro. O potencial econômico dessas jazidas é expressivo, mas sua exploração exige rigor ambiental. A mineração de terras raras pode gerar impactos sobre a água, o solo e a biodiversidade, tornando indispensáveis o licenciamento, o monitoramento e o controle ambiental. Ao mesmo tempo, o Brasil precisa avançar no beneficiamento desses minerais, agregando valor, tecnologia e empregos, em vez de exportá-los apenas na forma bruta. Esse talvez seja o maior desafio nacional: transformar recursos minerais em desenvolvimento científico, industrial e econômico. A sustentabilidade também passa por transformar essa riqueza natural em desenvolvimento econômico sem comprometer o patrimônio ambiental.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




