A COPA MAIS POLUENTE DA HISTÓRIA... E A MAIOR OPORTUNIDADE PERDIDA?
06/07/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
Na coluna anterior, discutimos como a Copa do Mundo de 2026 poderá se tornar a mais poluente da história, impulsionada pelo aumento do número de seleções, de partidas e, principalmente, pela intensa movimentação aérea entre Estados Unidos, Canadá e México. O tema ganhou espaço na imprensa internacional, mas um aspecto continua recebendo pouca atenção: a oportunidade que esse megaevento representa para acelerar a agenda global de descarbonização. A FIFA anunciou uma estratégia de sustentabilidade para a competição, contemplando ações relacionadas à gestão de resíduos, eficiência energética, uso racional da água e outros aspectos ambientais. São iniciativas importantes e necessárias. No entanto, especialistas têm chamado atenção para um ponto central: diante de uma pegada de carbono estimada em mais de nove milhões de toneladas de CO₂ equivalente, essas medidas parecem insuficientes para enfrentar o principal impacto ambiental do torneio, concentrado no transporte de equipes, delegações e milhões de torcedores. Talvez a maior oportunidade não estivesse apenas em reduzir impactos, mas em transformar a Copa em um grande laboratório mundial de neutralização de carbono. Imagine se parte dos recursos movimentados pelo evento fosse direcionada para projetos certificados de restauração florestal, recuperação de áreas degradadas, agricultura de baixo carbono ou conservação de ecossistemas. Além de compensar emissões inevitáveis, a competição poderia deixar um legado ambiental concreto, estimulando investimentos permanentes em soluções climáticas. Mais do que isso, uma iniciativa dessa dimensão teria enorme valor educativo. A Copa do Mundo mobiliza bilhões de pessoas e possui uma capacidade única de influenciar comportamentos, empresas e governos. Se o maior evento esportivo do planeta demonstrasse que é possível medir, reduzir e compensar suas emissões de forma transparente, ajudaria a popularizar conceitos que ainda parecem distantes da realidade da maioria da população. A sustentabilidade não depende apenas de tecnologias ou de grandes obras. Ela também depende de liderança. Em um momento em que as mudanças climáticas ocupam espaço crescente nas agendas internacionais, talvez o maior legado da Copa de 2026 não devesse ser apenas um campeão dentro de campo, mas a demonstração de que eventos globais também podem assumir responsabilidade proporcional aos impactos que geram. Afinal, quem reúne o mundo inteiro para celebrar o esporte também tem a oportunidade, e talvez o dever, de liderar pelo exemplo.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




