A TERRA ESTÁ FICANDO MAIS CARA OU MAIS RARA?
03/06/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
Nos últimos anos, o valor das terras agrícolas continuou avançando em diversas regiões do Rio Grande do Sul, especialmente nas áreas com maior aptidão para a produção de grãos. No entanto, para muitos produtores rurais do Noroeste gaúcho, a realidade tem sido marcada por um paradoxo cada vez mais evidente: enquanto a terra se valoriza como patrimônio, produzir nela tornou-se uma atividade mais complexa, arriscada e desafiadora. A região enfrentou sucessivas frustrações de safra causadas por estiagens severas, seguidas por eventos de excesso de chuva que comprometeram lavouras, infraestrutura e planejamento produtivo. Ao mesmo tempo, os preços das principais commodities agrícolas perderam força em relação aos patamares observados nos últimos anos, reduzindo margens de rentabilidade justamente em um período de aumento dos custos de produção. Soma-se a esse cenário a elevação das taxas de juros e as maiores dificuldades de acesso ao crédito, fatores que limitam investimentos, reduzem a capacidade de expansão das propriedades e aumentam a cautela dos produtores diante de novos projetos. Historicamente, o crescimento da agricultura regional esteve associado à combinação entre renda, crédito e confiança no futuro. Hoje, entretanto, esses elementos convivem com um ambiente de maior incerteza climática e econômica. Nesse contexto, talvez a principal questão não seja apenas o valor da terra, mas a capacidade de manter sua produtividade e sua viabilidade ao longo do tempo. A sustentabilidade passa, então, a assumir um papel estratégico. Conservação do solo, proteção da água, planejamento produtivo e adoção de sistemas mais resilientes tornam-se ferramentas fundamentais para enfrentar um cenário cada vez mais imprevisível. Afinal, mais importante do que ampliar áreas produtivas será garantir que cada hectare disponível consiga continuar produzindo, gerando renda e sustentando as futuras gerações.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




