O QUE SÃO AS PANCs – PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS?
31/03/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
As Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas como PANCs, são espécies vegetais com potencial alimentício que, embora muitas vezes presentes no cotidiano, não fazem parte da alimentação habitual da população. Em geral, são plantas nativas, espontâneas ou pouco cultivadas, que historicamente fizeram parte da dieta de comunidades rurais e tradicionais, mas que foram sendo gradualmente substituídas por cultivos mais comerciais e padronizados. Nos últimos anos, essas espécies têm ganhado destaque por sua diversidade nutricional, rusticidade e importância ecológica, além de representarem uma alternativa sustentável para a segurança alimentar. Muitas PANCs possuem alto valor nutricional, com presença significativa de vitaminas, minerais e compostos bioativos, podendo contribuir para dietas mais diversificadas e saudáveis. Ao mesmo tempo, essas plantas apresentam grande capacidade de adaptação a diferentes condições ambientais, exigindo menos insumos, menor uso de agrotóxicos e maior resiliência frente às mudanças climáticas, características importantes para sistemas agrícolas sustentáveis. Além disso, as PANCs estão fortemente relacionadas aos saberes tradicionais, transmitidos entre gerações, especialmente por agricultores familiares, povos indígenas e comunidades rurais, que historicamente utilizam essas espécies tanto na alimentação quanto na medicina popular. Na região Noroeste do Rio Grande do Sul, diversas espécies com potencial alimentício são conhecidas e utilizadas, como a ora-pro-nóbis, a beldroega, a serralha, o caruru, o dente-de-leão, a taioba, a bertalha, a capuchinha e a azedinha, além de frutas nativas como guabiroba, pitanga, uvaia e araçá. Essas plantas, muitas vezes consideradas espontâneas ou até mesmo “invasoras”, representam importante patrimônio biológico e cultural, podendo contribuir para diversificação produtiva, geração de renda e valorização da agricultura familiar. Assim, resgatar o conhecimento sobre as PANCs significa também fortalecer a biodiversidade, promover a soberania alimentar e reconhecer que soluções sustentáveis muitas vezes já estão presentes no próprio ambiente, aguardando apenas serem redescobertas e valorizadas. Esse enfoque também é reforçado por estudos sobre agricultura familiar, que destacam que as PANCs podem contribuir para a segurança alimentar, diversificação produtiva e geração de renda, além de preservar conhecimentos culturais locais e promover sistemas agrícolas mais sustentáveis.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




